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IMAGEM: Investimento na educação básica é precária no Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-41236052

O MEC acabará com os institutos e universidades federais?

Ministro da Educação anuncia corte de 30% no repasse para universidades e institutos federais. A medida foi tão ruim assim?
Por Gabriel Maciel - 05 De Maio De 2019, 12:51 PM


Você sabe qual é o valor gasto pelo governo português por cada aluno de universidade pública? Aproximadamente 7000 euros por ano, que seria mais ou menos uns 30.700 reais, e sabe-se que as escolas e universidades portuguesas estão entre as melhores do mundo. Sabe quanto o nosso governo federal gasta por aluno de ensino superior anualmente? Na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), por exemplo, o custo médio de um aluno é de 85.107 reais por ano, e isso significa que um aluno que leve 5 anos pra se formar na unicamp gerará um gasto aos cofres públicos de uns 425.5 mil reais, POR ALUNO. E se você for observar, os estudantes brasileiros estão entre as piores posições no ranking do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Por quê será que isso acontece?

Além disso, segundo o IBGE, cerca de 60% dos alunos da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, pertence aos 20% mais ricos do país. Sabe onde está o problema? No seguinte: o nosso país investe MUITO mais no ensino superior do que no ensino básico, e consequentemente vemos a maior parte das escolas públicas em condições precárias, com ensino de má qualidade, e muitas pessoas saem de lá antes de terminar todos os anos ou saem semi-analfabetos. Isso faz com que a maior parte dos alunos que conseguem passar no concurso pro IF ou no ENEM sejam alunos oriundos de escolas privadas, e alguns de escolas públicas que tiveram a sorte de estudar em uma escola não tão ruim. Por isso nós temos tantos analfabetos funcionais hoje em universidades, e inclusive se formando: porque não há um ensino básico de qualidade no nosso país, isso é algo óbvio! (Além da doutrinação ideológica que inegavelmente existe nas universidades públicas e IF's, eu o digo por experiência própria). Por isso o ensino básico, como o próprio nome já diz, é a base pra todo o resto. Como você quer que hajam estudantes universitários de qualidade no Brasil, se a base é fraca, falha?

Outro problema é o seguinte: o governo federal gasta BASTANTE com pesquisas e teses de universidades e institutos federais que são TOTALMENTE irrelevantes, teses e pesquisas do tipo: “Fazer banheirão: as dinâmicas das interações homoeróticas nos sanitários públicos da Estação da Lapa e adjacências”. Quem acha que estou exagerando, não estou; a tese pode ser encontrada no repositório institucional da UFBA, além de muitas outras com este teor obsceno e imoral. E sabe quem está pagando por tudo isso? Principalmente a classe baixa, média-baixa e média, VOCÊ, através de impostos, sustentando teses e pesquisas que não trazem nenhum retorno positivo para o país, nem financeiro nem cultural.

Em síntese, os brasileiros mais pobres bancam os filhos dos ricos em universidades públicas, os quais possuem dinheiro para pagar uma universidade, ou que poderiam, no máximo, receber uma bolsa PARCIAL ao invés de integral, com requisitos para poder usufruir do benefício, como boas notas e frequência. Ao invés disso, os filhos dos ricos acabam fazendo greve para demandar mais e mais impostos, pagos na grande maioria pelos mais pobres (aproximadamente 53 % dos impostos no Brasil são pagos por quem ganha até três salários mínimos).

Mas a mentalidade da esquerda é a seguinte: permitir que mais recursos sejam destinados à pesquisa, um dos pilares da universidade, através de parcerias com a iniciativa privada? Jamais! Defender que a pesquisa produzida pela universidade colabore para ampliar a produtividade no país e traga um retorno positivo, econômico ou/e cultural? Papo de burguês bolsominion. Entender que a educação de base deveria ser a prioridade dos governos ao invés das universidades? Coisa de golpista, opressor, “facista” (assim mesmo, sem o S no meio da palavra, como escrevem muitos militantes da esquerda), de "gente que precisa estudar" (algo bem irônico, aliás).
Esses 30 ou 30 e pouco por cento que será cortado de verba irá para o ensino básico, e isso será feito pelo bem das próximas gerações. Esse papo de que não será possível manter os IF's ou universidades não faz sentido: como é que universidades públicas de países como Portugal podem funcionar tão bem, com tão boa infraestrutura e bons professores, com menos dinheiro?

Não caia nessa conversa da esquerda, informe-se antes de opinar, pense antes de falar. É bastante estranho e duvidoso que os IF's e universidades não mais possam se manter com o novo valor da verba. Até porque os governos petistas anteriores também fizeram muitos cortes na educação, de BILHÕES de reais, mas ninguém fez esse barulho todo, não é? E pior: esses cortes dos anteriores governos sequer foram feitos para que seja aplicado um maior investimento no ensino básico, ou tendo uma meta maior em vista. Foram, basicamente, cortes de verba com o intuito de “gastar” menos, como se a educação fosse uma despesa, e não um investimento.

Governos anteriores cortam gastos de forma exorbitante


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