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IMAGEM: O evento em Brasília, foi prestigiado pela cúpula do PSDB. Foto: Sandro de Moura (RBN Notícias)

PSDB: Novo presidente. Velhos dilemas.

Na 15ª Convenção Nacional do PSDB em Brasília, o CICB – Centro Internacional de Convenções de Brasília, recebeu na manhã da última sexta feira (31), dirigentes e filiados para debater os destinos do partido. Entre os temas estava a eleição para a nova presidência da legenda.
Por Sandro de Moura - 01 De Junho De 2019, 11:20 PM


A convenção transcorreu num clima de pragmatismo e “unidade”, apesar das visíveis diferenças nos atores presentes. A chapa única facilitou o processo decisório. Resultado: eleição por unanimidade. O novo presidente da sigla agora é o ex-Ministro das Cidades e ex-deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE), o início de uma abertura ao “novo”.
Os presentes puderam assistir a tentativa do partido na busca de reencontrar sua identidade. Mas na afirmação do tucano felpudo Artur Virgílio Neto (ex-deputado, senador e ministro na gestão do ex-presidente FHC e atualmente prefeito da cidade de Manaus-AM.), “A social democracia falhou por onde passou. Tenho dúvidas se o partido deve se chamar Partido Social Democrata – PSDB. Eu não me sinto democrata!”, enfatizou.

Virgílio ainda comentou “Parabenizo o partido por não ter tirado a letra P (letra referente a Partido), muitos partidos tiraram o ‘P’, como se isso fosse tirar o desgaste que a opinião pública delegou aos partidos. Tirou o ‘P’, vai ser santificado pelo Papa Francisco... O PSDB teve a coragem de manter o . É partido!”. O gestor tucano disse ainda que a social democracia, foi irresponsável fiscalmente, que o modelo levou a bancarrota todos os estados e todos os países por onde passou, exemplificando Portugal, Alemanha, Inglaterra e França. Crítico, fez questão de ressaltar que, “não posso me conformar com esta coisa tão antiquada quanto o comunismo que é a social democracia, a social democracia caducou”.
Já Geraldo Alkmin - ex-candidato a presidente da República e ex-governador de São Paulo - minimizou a fala do colega de partido: “é preciso interpretar o que ele (Artur Virgílio) disse, que: em alguns países Europeus a social democracia teve dificuldade”.

Alckmin revelou que no caso do Brasil, a legenda é um instrumento importantíssimo, que não representa o radicalismo de esquerda, estatizante, atrasado, mas também não é o liberalismo do Laissez-faire” (liberalismo econômico na versão mais pura). Na opinião do ex governador, neste modelo “o grande bate no pequeno, o forte no fraco e o rico no pobre”.
O ex candidato à presidência diz defender a eficiência econômica, liberalismo na economia e, por outro lado, manter a visão social. “O desafio do Brasil é diminuir as desigualdades sociais”, concluiu.

João Doria – O Governador de São Paulo, afirmou que o PSDB deve estar comprometido com as reformas estruturantes para o País. Segundo o governador, o PSDB é “o partido do Brasil”. Perguntado se estava alinhado com o governo Bolsonaro, o governador respondeu que, “nunca defendi alinhamento com o governo Bolsonaro, defendo as boas iniciativas para o brasil, aprovação da reforma da previdência é um bom exemplo, a tributária em seguida também é um bom exemplo”. Ele falou que pelas boas causas brasileiras não se deve estabelecer dicotomia, nem fazer antagonismo, devendo deixar um pouco de lado as questões partidárias e ideológicas pois para se construir uma nação, precisa-se de paz e convergências.

NOVO PRESIDENTE

O novo presidente da legenda Bruno Araújo, afirmou que vai levar para discussão interna no partido, a proposta de fechamento de questão (todos os deputados e senadores da legenda votando na mesma direção). “A minha posição pessoal é de fechamento de questão, significa que, em uma discussão interna no partido de forma democrática, se houver a decisão da maioria do partido, os nossos deputados federais e, nossos senadores irão votar fechado no texto principal da reforma da previdência”. Com esta posição, o partidário que desrespeitar o acordo, sofrerá as sanções previstas pelo partido.
Bruno reafirmou a posição de total independência do governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o pernambucano, “Democracia se constrói com diálogo com as instituições, de forma firme, não apenas com um convite para assinar as folhas de um pacto. O PSDB terá uma posição contributiva, de independência e, quando houver alguma discordância, de oposição ao governo.”

CADÊ AÉCIO?

Perceptível a ausência do ex-senador e agora deputado federal Aécio Neves de Minas Gerais. Não se sabe se o partido encampou uma campanha feita pelo Ministro da Justiça Sergio Moro que sugeriu aos partidos políticos colaborarem no combate à corrupção no país, a começar por desprestigiar em seus quadros os políticos citados em situações indecorosas. O fato é que o indiciado Aécio Neves, ninguém sabe, ninguém viu...


O ex-presidenciável e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin falou com exclusividade para o Portal RBN Notícias. (Foto: Edmildo Cirilo)


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