IMG-LOGO
Home > Economia > Vender mais. Vender melhor. Made in Brazil

Economia

IMAGEM: Se o Brasil foi inovador e eficiente em desenhar uma estratégia comercial tão bem sucedida com a China, não poderíamos desenhar novas estratégias para novos produtos e/ou novos países? (Imagem: Ilustração internet)

Vender mais. Vender melhor. Made in Brazil

Há muito espaço para o Brasil ampliar as suas exportações e consequentemente, melhorar a competitividade das empresas e o desempenho da economia, gerando novos empregos.
Por Katiane Fátima de Gouvêa - 27 De Junho De 2019, 11:48 PM


Com pouco mais de 500 anos de história, o Brasil é um país com destaque no mundo pela posição ocupada nos rankings mundiais. Seja no ranqueamento da economia, da população, da força de mão-de-obra, da área total e da área produtiva, das reservas minerais e naturais, o Brasil está entre os 10 maiores países do mundo, exceto no mercado internacional.

Segundo dados do OMC – Organização Mundial do Comércio, o valor exportado pelo Brasil em 2018 está abaixo dos valores exportados por: Malásia, Tailândia, Polônia, Arábia Saudita, Vietnã, Suíça, Índia, Tapei, Espanha, Singapura, Rússia, Canadá, México, Bélgica, Reino Unido, Itália, França, Hong Kong, Coreia, Holanda, Japão, Alemanha, Estados Unidos e China. O Brasil ocupa a posição 25 do ranqueamento de valor exportado, representando apenas 1,2% do mercado internacional. Em 2018, a China representou 13% do mercado internacional, seguido de Estados Unidos com 8,7% e Alemanha com 8,1% da participação.

O Brasil é um país jovem, e como todo jovem, cheio de energia mas nem muitas definições claras, precisa de reflexões sobre qual o melhor caminho levando em conta o cenário passado-presente-futuro e demais considerações. Há muito espaço para o Brasil ampliar as suas exportações e consequentemente, melhorar a competitividade das empresas e o desempenho da economia, gerando novos empregos.

Em 2009, a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando a parceria americana. Entretanto, se buscarmos o valor por quilo exportado, visualizamos que podemos evoluir muito. Entre 1997 a 2018, a média do valor pago por quilo as exportações chinesas era de 0,12 centavos de dólar. Em 2018, o Brasil exportou para a China 1.759 itens do Sistema Harmonizado, código utilizado pelas aduanas internacionais. Os Estados Unidos no mesmo período de 1997 – 2018 a média do valor pago foi 0,76 centavos de dólar a cada quilo exportado, em uma cesta exportadora de 3.163 itens.

Enquanto o Brasil exportou 342 milhões de toneladas a China a um valor de 63 bilhões de dólares (0,18usd/kg), exportou 30 milhões de toneladas aos Estados Unidos a 28 bilhões de dólares (0,93 usd/kg) em 2018, segundo dado disponibilizado pela Secretária de Comércio Exterior, Ministério da Economia.

A estratégia comercial de aproximação do Brasil com a China em 2000 foi extremamente exitosa. Passou de 1bi de dólares para 10 bi em 2007. Em 2009, superou 20 bi. Em 2010, superou 30 bi, e em 2018 superou os 60 bilhões de dólares. A dimensão continental do Brasil e a sua vocação no agro foram essenciais para atender o mercado chinês que demanda por alimentos e minerais para o seu desenvolvimento econômico. Creio que talvez seja a hora de buscamos novas oportunidades no mercado chinês.
Se o Brasil foi inovador e eficiente em desenhar uma estratégia comercial tão bem sucedida com a China, não poderíamos desenhar novas estratégias para novos produtos e/ou novos países? Se o Brasil está entre os 10 maiores países do mundo, suponho que a nossa política externa que nos coloca com a 25º posição de exportadores e representando apenas 1,2% do mercado internacional precisa ser repensada com urgência.

Hoje a exportação brasileira está restrita aos grandes centros. Há falta de inovações na sensibilização as empresas brasileiras, como também pouco esforço de comunicação, capacitação e qualificação para ampliar a base exportadora. A facilitação que a tecnologia, os grandes portais de compra mundiais, a big data e a sua inteligência proporcionam ao mercado internacional ainda são desconhecidas dos governantes e das empresas brasileiras. O comércio exterior, a internacionalização de produtos e marcas brasileiras carecem de uma política pública democrática, eficiente e efetiva. O Brasil pode exportar milhares de novos produtos. Em 2018, o Brasil exportou 4.590 itens para 242 países a um preço médio de 9,73 dólares o quilo, e importou 4.775 itens de 228 países a 43,54 dólares o quilo.

Empresas exportadoras são mais competitivas no mercado interno, pagam melhor seus empregados e são menos suscetíveis a crises econômicas. Investir na internacionalização das empresas brasileiras é vender mais e vender melhor. É investir no desenvolvimento econômico sustentável do Brasil, de modo que empresas brasileiras tenham no mercado externo uma vocação comercial ou uma garantia da manutenção dos seus negócios em momentos de baixo desenvolvimento econômico no Brasil. Investir na internacionalização é dar oportunidade para empresas de todos os portes - micro, pequena, médias e grandes, e em todas as regiões do Brasil. Investir no mercado internacional é reposicionar o Brasil no mundo e ocupar o espaço e o reconhecimento que cabe aos 10 maiores países do mundo.


*Katiane Fátima de Gouvêa: Formada em Design Industrial, pós-graduada na Universidade Estadual de Londrina UEL/PR, Escola Superior de Propaganda e Marketing /SP, Instituto Europeu de Design e MBA de Comércio Exterior e Negócios Internacionais na FGV.// Membro da Associação Brasileira de Relações Governamentais e Institucionais – ABRIG.//
Conselheira da Câmara Setorial das Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e conselheira da Câmara Temática da Agricultura Orgânica do Ministério da Agricultura.// Trabalhou na Apex-Brasil, Agência Brasileira de Promoção a Exportação e Investimento. Atuou como consultora nas áreas de mercado, design e inovação no SEBRAE, ANPEI – Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras e Centro Brasil Design.// Foi Diretora da Associação Brasileira da Seda.


Compartilhar: