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IMAGEM: Processo de Conscerto do Desejo foi apresentado em Garanhuns, na tarde desta segunda (22) dentro do Festival de Inverno local. (Foto: RBN/Sandro de Moura)

Chuva, Frio & Arte: Público prestigia Mateus Nachtergaele no FIG 2019

O público se aglomerou por horas em frente ao Centro Cultural de Garanhuns para prestigiar o espetáculo.
Por Sandro de Moura - 22 De Julho De 2019, 08:25 PM


ESPECIAL FIG 2019 - Não se contesta que dentro da programação do Festival de Inverno de Garanhuns, uma das linguagens artísticas responsáveis pela maior atração de público é o teatro. Nos dez dias da 29ª edição do evento que marca a vida e altera a rotina do município e do estado de Pernambuco, frio só no termômetro. Com uma grade bem elaborada, dezenas de espetáculos teatrais enriquecem o FIG com premiados nomes da cena nacional.

A abertura das atividades no emblemático Teatro Luiz Souto Dourado, proporcionou a Garanhuns e aos visitantes uma viagem com direito a texto do consagrado Miguel Falabella e interpretação de Alessandra Maestrini do recital “O Som e a Sílaba”.

Já nesta tarde de segunda feira (22), sob uma forte chuva e frio ainda mais intenso os apreciadores da boa arte puderam assistir em duas sessões (as 16 e às 18h) o premiado “Processo de Conscerto do Desejo” , criado pelo ator Matheus Nachtergaele, em 2015, e que já contou com mais de 160 apresentações pelo Brasil.

A memória, ora vestida de som e luz, ora de silêncio e sombra, mas, sobretudo, impregnada na narrativa poética, é o fio condutor do espetáculo Processo de Conscerto do Desejo. O neologismo “conscerto”, empregado no título da montagem, nasce justamente da confusão que as consoantes “s” e “c” geram na língua portuguesa. Ao se fundirem, as palavras concerto e conserto revelam duas intenções, a do espetáculo e da restauração através da poesia. O artista explica, objetivamente: “Quero consertar meu desejo com poesia, num concerto.”

Segundo a produção, a montagem foi construída a partir de poemas que a mãe do ator Matheus Nachtergaele deixou. A poetisa Maria Cecília Nachtergaele, falecida em 1968, aos 22 anos de idade, deixou, além dos seus textos, um bebê de três meses. A sua obra influenciou profundamente o filho artista. O próprio ator revela em que medida a obra deixada por sua mãe influenciou na sua carreira: “Minha mãe foi uma jovem poetisa. Ela deixou na terra um filho, que sou eu, e alguns poemas, cerca de 30. Foi o que ela teve tempo de escrever na sua breve permanência aqui entre a gente. São textos bonitos, que me acompanharam vida afora. Foram os textos que me fizeram conhecer minha mãe de alguma forma e que me introduziram no mundo da arte. Foram esses textos que me fizeram interessar por poesia, por literatura, por Shakespeare, e depois, por teatro. Maria Cecília acabou me formando, sem, talvez, ter tanta consciência de que os seus poemas fariam isso com aquele neném que ela deixou para trás”.

Em Garanhuns, no “Processo de Conscerto do Desejo” , acompanhado pelo jovem violonista Luã Belik, Nachtergaele recitou os poemas que guardou nos olhos e na alma como única herança da sua mãe.
O espetáculo simples e bonito.
Sem apelações e sem meias palavras. Ou com palavras e meias - como são os bons poemas.

Matheus Nachtergaele (Foto: Divulgação)


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